A noite uma brisa gostosa soprava amenizando o calor. Era assim em Grigório, pertinho da cidade de Acaraú, onde vivia Pedro Clair, com os pais e cinco irmãos.
O preço que se paga pelos revezes da vida, não tem porquês... Simplesmente acontecem.
Aquele dia não era auspicioso á família Clair; já haviam perdido o chefe da casa; e agora aquele incêndio!
Ficou fragmentado na memória do garoto Jaime, aquela época com cinco anos de idade, o incêndio de sua casa, onde tudo foi perdido.
Como diz o grande Sinval Medina: “quando as palavras não alcançam dizer o que pretendem, fica sendo o silêncio a, mas avisada forma de expressão".
Foi o que Anita, a mãe de Pedro e os seus irmãos, fizeram na luta pela sobrevivência. Usou a coragem e determinação, como o sal da vida.
Pedro cresceu guerreiro, batalhador, generoso, amigo e um andarilho na busca pelo bem estar da mãe e irmãos sobre sua responsabilidade.
Pedro ainda recorda aquele setembro de 1949... Era domingo, cedinho... O sol espreguiçava-se devagarzinho, surgindo na barra do horizonte, quando na porta da pequena igrejinha, viu Terezinha. Foi amor a primeira vista.
Para Tereza, a vida também não fora fácil. Primeira filha de uma família seis irmãos, tendo pais humildes e simples, sempre lhe pesou a responsabilidade da casa e dos irmãos. Por isso pouco estudou. Mas Tereza amava a vida. E vida é força dinâmica.
Foi essa força que fez essa jovem, também órfã, aos 16 anos assumir a família no papel de pai e mãe, já que seu pai casando em segundas núpcias abandonou a família.
Tereza tinha fé. E fé é aderir o plano de Deus. E foi assim com muita fé que Pedro e Teresa começaram sua vida a dois.
Essas recordações da vida a gente nunca esquece... E aquele 15 de setembro muito menos... Era o dia de seu casamento.
O vestido de Tereza, tinha a cor do jasmim da manhã, quando amanhece. A fita que prendia o véu era da cor da pureza: branco, tão branco como a flor do pau-d'arco, no despertar da madrugada orvalhada, lá na fazenda... O sorriso de Tereza lembrava a deusa do amor. Tudo nela era encantador.
O tempo foi passando, os filhos chegando; no total de onze filhos, mas sós sete vingaram. Pensando no futuro dos filhos, Tereza se arranchou' em Acaraú e Pedro, em Grigório ficou. Somente no final de semana Pedro vinha à cidade com a mãe, matar de Tereza as saudades.
No ano da Revolução, Pedro resolveu mudar-se com toda a família para a cidade litorânea de Camocim, ai 'ficando chão’.
Os anos passaram os filhos cresceram, casaram e os netos chegaram. Era novamente 15 de setembro, só que do ano de 2001. Virada do
milênio; era da tecnologia, da comunicação globalizada. Muitas coisas haviam mudado: costumes, valores, direitos e deveres. Mas em uma única coisa, o homem não mudou; não pode mudar. O Amor!
E foi esse mesmo amor que levou Pedro e Tereza, filhos, genros, noras e netos e bisnetos de volta a pequena vila de Gregório, para festejarem na mesma igrejinha, os 50 anos de vida, lutas e alegrias, vividos com muita fé em Deus por este casal.
Aquela noite o industrial Pedro festejou seus 50 anos de casados na
Fazenda dos Paus-D’arco, que estava como outrora carregadinha de flor, mas hoje transformada em casa-grande senhorial. Tendo como convidados: o amor, a amizade, a fraternidade e a união;
Às vezes- — diz Pedro— aperta a saudade, e nas rodas da Casa-Grande, Tereza e Pedro recordam a mocidade, contando para netos e bisnetos o seu viver.
Sonhador, Pedro termina assim: - E em uma dessas noites toda branca, toda nua, noite de recordações, eu vi duendes e sílfides, em serenatas ás estrelas, cantando dentro da lua, o meu "Luar do Sertão”
Nota:Esta história é verídica, faz parte da época que trabalhava como promoter e entre tantas outras coisas fazia documentários, precisando pesquisar a vida dos meus clientes. Nomes, lugares e datas estão trocados, para preservação dos personagens.





