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terça-feira, 29 de junho de 2010

UM GRANDE AMOR


Quando verão, o sol esbraseava a terra e espalhava durante o dia um mormaço incômodo.
A noite uma brisa gostosa soprava amenizando o calor. Era assim em Grigório, pertinho da cidade de Acaraú, onde vivia Pedro Clair, com os pais e cinco irmãos.
O preço que se paga pelos revezes da vida, não tem porquês... Simplesmente acontecem.
Aquele dia não era auspicioso á família Clair; já haviam perdido o chefe da casa; e agora aquele incêndio!
Ficou fragmentado na memória do garoto Jaime, aquela época com cinco anos de idade, o incêndio de sua casa, onde tudo foi perdido.

Como diz o grande Sinval Medina: “quando as palavras não alcançam dizer o que pretendem, fica sendo o silêncio a, mas avisada forma de expressão".
Foi o que Anita, a mãe de Pedro e os seus irmãos, fizeram na luta pela sobrevivência. Usou a coragem e determinação, como o sal da vida.
Pedro cresceu guerreiro, batalhador, generoso, amigo e um andarilho na busca pelo bem estar da mãe e irmãos sobre sua responsabilidade.

Pedro ainda recorda aquele setembro de 1949... Era domingo, cedinho... O sol espreguiçava-se devagarzinho, surgindo na barra do horizonte, quando na porta da pequena igrejinha, viu Terezinha. Foi amor a primeira vista.

Para Tereza, a vida também não fora fácil. Primeira filha de uma família seis irmãos, tendo pais humildes e simples, sempre lhe pesou a responsabilidade da casa e dos irmãos. Por isso pouco estudou. Mas Tereza amava a vida. E vida é força dinâmica.

Foi essa força que fez essa jovem, também órfã, aos 16 anos assumir a família no papel de pai e mãe, já que seu pai casando em segundas núpcias abandonou a família.
Tereza tinha fé. E fé é aderir o plano de Deus. E foi assim com muita fé que Pedro e Teresa começaram sua vida a dois.

Essas recordações da vida a gente nunca esquece... E aquele 15 de setembro muito menos... Era o dia de seu casamento.
O vestido de Tereza, tinha a cor do jasmim da manhã, quando amanhece. A fita que prendia o véu era da cor da pureza: branco, tão branco como a flor do pau-d'arco, no despertar da madrugada orvalhada, lá na fazenda... O sorriso de Tereza lembrava a deusa do amor. Tudo nela era encantador.

O tempo foi passando, os filhos chegando; no total de onze filhos, mas sós sete vingaram. Pensando no futuro dos filhos, Tereza se arranchou' em Acaraú e Pedro, em Grigório ficou. Somente no final de semana Pedro vinha à cidade com a mãe, matar de Tereza as saudades.

No ano da Revolução, Pedro resolveu mudar-se com toda a família para a cidade litorânea de Camocim, ai 'ficando chão’.

Os anos passaram os filhos cresceram, casaram e os netos chegaram. Era novamente 15 de setembro, só que do ano de 2001. Virada do
milênio; era da tecnologia, da comunicação globalizada. Muitas coisas haviam mudado: costumes, valores, direitos e deveres. Mas em uma única coisa, o homem não mudou; não pode mudar. O Amor!

E foi esse mesmo amor que levou Pedro e Tereza, filhos, genros, noras e netos e bisnetos de volta a pequena vila de Gregório, para festejarem na mesma igrejinha, os 50 anos de vida, lutas e alegrias, vividos com muita fé em Deus por este casal.

Aquela noite o industrial Pedro festejou seus 50 anos de casados na
Fazenda dos Paus-D’arco, que estava como outrora carregadinha de flor, mas hoje transformada em casa-grande senhorial. Tendo como convidados: o amor, a amizade, a fraternidade e a união;
Às vezes- — diz Pedro— aperta a saudade, e nas rodas da Casa-Grande, Tereza e Pedro recordam a mocidade, contando para netos e bisnetos o seu viver.
Sonhador, Pedro termina assim: - E em uma dessas noites toda branca, toda nua, noite de recordações, eu vi duendes e sílfides, em serenatas ás estrelas, cantando dentro da lua, o meu "Luar do Sertão”

Nota:
Esta história é verídica, faz parte da época que trabalhava como promoter e entre tantas outras coisas fazia documentários, precisando pesquisar a vida dos meus clientes. Nomes, lugares e datas estão trocados, para preservação dos personagens.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

CARIOCA

Com inspiração carioca, bar em Berlim vende até dois mil caipirinhas por mês

Victor Rodrigues Beckmann mora na Alemanha desde 2000 (Foto: Carolina Iskandarian/G1)
Cumprimentar os clientes com a típica saudação brasileira ‘oi, tudo bem?’ é trabalho obrigatório para os garçons que trabalham no Botequim Carioca, bar inspirado no Rio de Janeiro, mas localizado no bairro Mitte, região central de Berlim. “É para já entrar no clima”, explica Victor Rodrigues Beckmann, o dono do estabelecimento. Desde 2000, ele mora na Alemanha. Ele casou e não pensa em largar o estilo de vida tão cedo, nem por ter saudades da família, do sol e da praia.

“Viajo muito para o Rio de Janeiro e quero ter a possibilidade de viver nos dois países ao mesmo tempo, ficando no verão daqui e depois no verão carioca, seis meses em cada país”, conta o carioca de 28 anos. Além do letreiro, a bandeira brasileira na entrada é o primeiro sinal de que aquele bar é inspirado no Brasil.

No caso do Botequim Carioca, o pôster do Flamengo, as paredes de azulejo, uma pequena estátua do Cristo Redentor e o sambinha na música ambiente deixam clara a inspiração carioca. Os atendentes falam alemães e portugueses – a maioria é de brasileiros que moram na Alemanha e a clientela brasileira representa cerca de 40% dos freqüentadores do bar, segundo Beckmann.

Estudos
Com ascendência alemã, o empresário relata que deixou o Rio em 2000 para estudar o idioma germânico. Era para ser apenas um curso de curta duração, já que o objetivo maior era fazer universidade na Espanha. Mas ele acabou gostando de Berlim, casou dois anos depois de chegar e abriu seu primeiro negócio, um café, em 2006. Antes disso, ele afirma que já pesquisava os melhores caminhos para abrir o botequim.

DEPOIS DO JANTAR


Carlos Drummond de Andrade




Também, que idéia a sua: andar a pé, margeando a Lagoa Rodrigo de Freitas, depois do jantar.
O vulto caminhava em sua direção, chegou bem perto, estacou à sua frente. Decerto ia pedir-lhe um auxílio.
- Não tenho trocado. Mas tenho cigarros. Quer um?
- Não fumo, respondeu o outro.
Então ele queria é saber as horas. Levantou o antebraço esquerdo, consultou o relógio:
- 9h 17m;... 9h20m talvez. Andaram mexendo nele lá em casa.
— Não estou querendo saber quantas horas são. Prefiro o relógio.
— Como?
— Já disse. Vai passando o relógio.
— Mas...
— Quer que eu mesmo tire? Pode machucar.
— Não. Eu tiro sozinho. Quer dizer... Estou meio sem jeito. Essa fivelinha enguiça quando menos se espera. Por favor, me ajude.
O outro ajudou, a pulseira não era mesmo fácil de desatar. Afinal, o relógio mudou de dono.
— Agora posso continuar?
— Continuar o quê?
— O passeio. Eu estava passeando, não viu?
— Vi, sim. Espera um pouco.
— Esperar o quê?
— Passa a carteira.
— Mas...
— Quer que eu também ajude a tirar? Você não faz nada sozinho, nessa idade?
— Não é isso. Eu pensava que o relógio fosse bastante. Não é um relógio qualquer, veja bem. Coisa fina. Ainda não acabei de pagar...
— E eu com isso? Então vou deixar o serviço pela metade?
— Bom, eu tiro a carteira. Mas vamos fazer um trato.
— Diga.
— Tor com dois mil cruzeiros. Dou-lhe mil e fico com mil.
— Engraçadinho, hem? Desde quando o assaltante reparte com o assaltado o produto do assalto?
— Mas você não se identificou como assaltante. Como é que eu podia saber?
— É que eu não gosto de assustar. Sou contra isso de encostar o metal na testa do cara. Sou civilizado, manja?
— Por isso mesmo que é civilizado, você podia rachar comigo o dinheiro. Ele me faz falta, palavra de honra.
— Pera aí. Se você acha que é preciso mostrar revólver, eu mostro.
— Não precisa, não precisa.
— Essa de rachar o legume... Pensa um pouco, amizade. Você está querendo me assaltar, e diz isso com o maior cara-de-pau.
— Eu, assaltar?! Se o dinheiro é meu, então estou assaltando a mim mesmo.
— Calma. Não baralha mais as coisas. Sou eu o assaltante, não sou?
— Claro.
— Você, o assaltado. Certo?
— Confere.
— Então deixa de poesia e passa pra cá os dois mil. Se é que são só dois mil.
— Acha que eu minto? Olha aqui as quatro notas de quinhentos. Veja se tem mais dinheiro na carteira. Se achar uma nota de 10, de cinco cruzeiros, de um, tudo é seu. Quando eu confundi você com um, mendigo (desculpe, não reparei bem) e disse que não tinha trocado, é porque não tinha trocado mesmo.
— Tá bom, não se discute.
— Vamos, procure nos escaninhos.
— Sei lá o que é isso. Também não gosto de mexer nos guardados dos outros. Você me passa a carteira, ela fica sendo minha aí eu mexo nela à vontade.
— Deixe ao menos tirar os documentos?
— Deixo. Pode até ficar com a carteira. Eu não coleciono. Mas rachar com você, isso de jeito nenhum. É contra as regras.
— Nem uma de quinhentos? Uma só.
— Nada. O mais que eu posso fazer é dar dinheiro pro ônibus. Mas nem isso você precisa. Pela pinta se vê que mora perto.
— Nem eu ia aceitar dinheiro de você.
— Orgulhoso, hem? Fique sabendo que tenho ajudado muita gente neste mundo. Bom, tudo legal. Até outra vez. Mas antes, uma lembrancinha.
Sacou da arma e deu-lhe um tiro no pé.

SOBRAL... "ENTRE LINHAS"


Arco N. S. de Fátima (Entrada de Sobral)


Encavada ao sopé da Meruoca tendo seus flancos banhados pelo rio Acaraú, desde os tempos Coloniais, Sobral sempre foi a Princesa do Norte; e sempre foi de seus filhos a preocupação com a Educação, o conhecimento dado as suas gerações futura.
Ao início da época Colonial, cabia aos genitores ensinar aos filhos a doutrina cristã; ler, escrever.

No decorrer do tempo ,em setembro de 1768, através de uma Portaria do governo nasciam, os vencimentos dos professores, sendo a remuneração equivalente ao preço de um alqueire de farinha anual, para cada aluno que freqüentassem as aulas.

Mas a Princesa do Norte queria muito mais para seus filhos... Veio do preto “forro, Manuel Gomes Correia do Carmo a primeira escola de ensinar meninas.” Inteligente, desenvolveu um trabalho comunitário para os pretos e mestiços menos favorecidos, e daí tirava o seu sustento. A primeira escola de Sobral nascia do trabalho de um preto forro.

Somente em 1780, o Tenente, Manuel Correia Marques de Sá, por iniciativa própria, criou a primeira escola para os brancos.

O tempo rolou no espaço de dez anos, para que fosse criada a primeira escola pública, mantida pelo “Subsídio Literário, foi nomeado o padre, Manuel Francisco Rodrigues da Cunha, para um período de seis anos, com um ordenado de 240 reis.

Sobral caminhava devagar... , a velha Caiçara havia alargado suas fronteiras; aberto suas porteiras, em busca de uma melhor formação cultural para seus filhos. Foi à época dos “sinhozinhos” emigrarem para Europa, Rio de Janeiro, e Bahia.

A essa época o Brasil estava sob o domínio, socioeconômico e político de Portugal. França e Holanda, haviam também conquistado regiões estratégicas, como a Ilha de São Luis do Maranhão; a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, e a cidade do Recife, parte das às cidades de Pernambuco, Paraíba e Alagoas.

Mesmo assim, o Brasil manteve durante todo o período Colonial, a sua unidade lingüística e cultural Em sete de setembro de 1822, é declarada a Independência do Brasil.

O Brasil viveu vários ciclos em sua História. Em cada um deles tivemos mudanças culturais, políticas, sociais e populacionais, Com isso nossa Sobral ficou no esquecimento por longos vintes anos.

Somente , em 26 de agosto de 1825, padre Antônio da Silva Fialho, através de um concurso público é nomeado pelo Presidente da Província, José Martiniano de Alencar, ao cargo de professor, para lecionar Gramática Latina em Sobral.

Grande educador, durante 40 anos, padre Fialho ensinou os jovens de Sobral. Segundo Cônego Francisco Sadoc de Araújo, em seu livro, Origem da Cultura de Sobral (página 141) vem de padre Fialho a troca de alguns sobrenomes dos seus alunos por nomes estrangeiros, adotado pela nova geração de Sobralenses, como: Donizette, Cialdeni e Mont’alverne.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

ÂNGELA

(15 anos)

Ângela era a típica adolescente romântica. Há tempo vinha sonhando com seus quinzes anos no seu devaneio, foi juntando cores, formas e aromas, suscitando, assim, sentimentos de solidariedade nos deuses do Olímpio, que resolveram contribuir com a garota na realização dos seus sonhos.

Naquela noite, a magia se fez presente na Terra. Morfeu, o deus dos sonhos, reuniu os habitantes dos bosques e das águas; o fascínio etéreo das fadas, e bom fluídos. Soprou um pó dourado por toda a casa de Ângela,
Transformando-a em lindo palácio: O lustre renasceu em forma de candelabro, com velas douradas e flores coloridas, no lugar das velhas lâmpadas.

Nas varias mesas espalhadas pelo gramado toalhas em tonalidade chocolate, contrastavam com o dourado das mantas e o charme dos tapetes persas. Nas tendas peças de design produziam combinações ousadas, porem suaves e sedutores.
No portão de entrada tinha o Brasão de Ângela, nas cores chocolate e dourada, encimado por linda coroa.
A meia-noite, o carrilhão se fez soar por meio de badaladas... Começava o grande sonho de Ângela: A noite de seus Quinze Anos.

CONVITE

Conta-se que em palácio real de paredes cristalinas
Vivia linda menina.
.Certa manhã radiosa
Com um céu azul por igual,
Uma notícia corria
A alegria era geral.

Os arautos reais, os proclamas liam:
- Sua Majestade Real, Princesa Ângela,
Faz Quinze Anos.

O salão enfeitado de dourado,
Velas acesas no extenso corredor,
Tinham nos portais, da princesa as iniciais.
Ah! Que festa linda Todos lembra ainda.

RECORDANDO


Só Você...
Melhor dizendo... Nós!
Na brisa suave,
No quebrar das marolas,
Lá... Na praia de Camocim,
A sombra de coqueirais.

Era um sonho grande! Loucura!
Tínhamos no corpo o cheiro da noite...
O mar cor de um verde opalino,
Refletia cores fulgurantes.

Meu ser emana saudades
Daquele relento de uma noite
Com estrelas e luar no céu.

Ah! Faz tanto tempo...
E como Saudade é ter
Impressão, de que nada aconteceu...
O Tempo não correu. Ledo engano!

Fui lá... Revi o reino encantado!
Estava seco, feio, cheio de tortolho,
Sozinho... Sem amor... Findo.